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transilvâniapor Felipe R

Querida Mina,

Minha estadia nesta prisão foi prolongada. Estou confinado há tanto tempo que a data desta carta já não me é mais certa. Os dias se passam e cada vez menos eu acredito conseguir escapar daqui. A chuva e a neblina vêm visitar-me cada manhã. Anseio com temor o fim do dia, pois – afinal – ele pode ser meu último crepúsculo.

As últimas noites têm sido um grande tormento! Aquele que eu pensava ser apenas um nobre cliente é uma horrenda criatura! Seus olhos brilham uma luz infernal e seu sorriso é o de um caçador à espreita de sua presa. Espero apenas poder vê-la novamente… ver seu sorriso, seu abraço, seu olhar… Ah, Mina, meu tormento não tem fim!

Aqui meu tempo se esgota rapidamente… Aproveito os muitos momentos que tenho longa da presença do conde para pensar em uma opção diferente da morte. Gostaria eu de ter a força – ou a coragem – para enfrentar esse monstro, mas seria um esforço em vão.

Desprovido de forças, resta-me apenas a razão. À tarde, quando os terrores da noite estão adormecidos e o conde se ausenta, pretendo escapar. Minha bagagem já está em mãos e, de acordo com os mapas que consultei em Londres, há uma grande clareira e, logo depois, uma floresta cujo norte abriga um pequeno vilarejo. Se não receber notícias minhas nos próximos dois meses, então é o fim.

Com amor e saudade,

Jonathan