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(Thomas Yang)

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O homem tem um pesadelo. Nesse pesadelo, sua imagem era de alguém cansado pelo trabalho, molhado pela chuva e deprimido pela bronca do chefe. Um homem calvo, vestido com um terno apertado que lhe destacava a barriga saliente, sapatos de couro desgastados, segurando uma maleta preta e pesada.

Ele toca a campainha a fim de ter alguma esperança. Esperava sua ex-namorada atendê-lo, dando-lhe um beijo quente e gostoso. Mas nada aconteceu. Ela já se foi, com outro. Ele tateia o bolso, encontra a chave correta e abre a porta. Dá um passo, mas logo para. Vê e reflete. Diante do olhar dele, a sala. A poltrona, suja, em frente à televisão sem sinal, apenas emitindo um zumbido irritante e contínuo. Havia alguns quadros abstratos pregados em uma parede completamente branca. Mas o mais importante era a mesinha ao lado da poltrona. Em cima dela, um relógio digital começava a piscar, soando um alarme; já era uma da manhã. Ao seu lado, um capacete pesado de metal coberto de fios pretos estava ligado na tomada. O homem senta na poltrona e o veste. Então ele acorda, acorda para a realidade. Deitado na cama, cheio de mulheres dispostas a tudo, a qualquer momento, sabe que está num dos muitos quartos de sua imensa mansão; uma mansão das dezenas que ele possui espalhada no mundo. Ali ele se sente bem, confortável, tranquilo em seu próprio universo.

A cena de O Adormecido (The Sleeper) é trágica e deprimente. Devido aos problemas com que o protagonista se depara todos os dias e também devido a uma série de escolhas equivocadas, ele se vê confuso num ambiente em que não sabe o que é realidade, o que é devaneio. Não se trata, porém, de sonhos quaisquer. Nesse filme, o capacete citado permite ao usuário manipular a realidade conforme seus desejos. Assim, enquanto se diverte consumindo dinheiro, bebidas e mulheres, ele não apenas recuso seu verdadeiro mundo, mas seu verdadeiro eu. O filme faz uma precisa alegoria de como a depressão, a recusa, a renúncia são difíceis de se enfrentar.