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(Victória Lin)

corvos

O mar de escuridão ainda não o consumira totalmente, mas já era tarde demais para hesitar. Depois de caminhar uma longa jornada, cheia de dificuldades, ele chega ao fim, talvez outra pessoa encarasse isso como um beco sem saída, mas para ele é a luz, sua melhor solução, e ele sobrevoa seu futuro em busca do fim, o qual não muito longe se encontra.

O pobre ser costumava rogar por misericórdia, mas o mundo não lhe era benevolente. A vida foi curta, mas pareceu durar uma eternidade, cheia de sofrimento, fome, traição. Até os de sua própria espécie se esqueceram dele, deixando-o para trás, ignorando sua dor. Trataram-no como diferente, como louco até, tudo porque não entendiam sua complexidade, seu talento à frente do tempo, sua fragilidade. Tudo o que queria era amor. Alguém que se importasse com ele, que cuidasse dele, mas mesmo depois de dar tudo de si em função deles, foi abandonado.

O tempo sempre foi seu maior inimigo, a causa de todos seus problemas. Colocou-o numa época inadequada à sua genialidade, levou seus queridos, mas não quis levá-lo; por isso teve de buscar sozinho seu fim. Restou somente ele com sua tela em branco, a qual logo seria preenchida com seus maiores desejos naquele momento. Infelizmente, porém, após chegar ao seu destino, a ele foi dado tudo com que sempre sonhara, tudo o que merecera: atenção, reconhecimento, fama, amor. E isso foi mais um erro do tempo, ou talvez um castigo por ele não ter respeitado o tempo do tempo, este ser cruel que nunca deu ao homem o luxo de ser feliz.