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(Camila Alves)

Acordo, a primeira coisa que vejo é Anna andando pela cama com a delicadeza de uma bailarina e a retidão de uma modelo. Ela observa uma rachadura no teto mal pintado. A conheço bem, sei que deve estar pensando em qualquer coisa, menos rachadura.

A observo. Tudo que veste é um short de tecido curto, largo e escuro, acompanhado de uma regata preta que deixa seus seios ainda menores. Está descabelada e com a maquiagem borrada, mas mesmo assim transmite um ar de elegância.

Ela acorda de seus pensamentos e com isso eu acordo dos meus. Ouço sua voz sair suave como um lençol de seda se arrastando pela pele: “Lembra-se da noite passada? Quando estava dizendo que me sentia perdida, sem sabe o que queria?” Aceno que sim com a cabeça, abrindo um sorriso. “Quero ser dona de casa e, talvez, escrever no tempo livre”. “Por que iria querer ser algo assim, Anna? Mulheres têm mais opções hoje em dia.” – perguntei, descrente de que o que acabara de ouvir viera da mesma garota que sempre sonhou em ser médica.

Anna se deita lentamente, o raio de luz do nascer do sol bate em seus olhos escuros, fazendo-os brilhar mais do que a própria luz. “Não, não temos”.