(Bruno Watanabe)

Lembro-me de andar pelos parques observando as nuvens, as árvores, as pessoas; tudo colorido, vívido, belo. Minhas pernas me levam até um laguinho, estrábico. Vejo pessoas, árvores e nuvens, mas não vejo o lago. Olho para ele, mas só vejo a mim mesmo.

Ninguém vê o lago. Curiosos veem os peixes nadando calmos. Distraídos, projeções do mundo real refletidas. Narcisistas, suas feições invertidas. O lago, ninguém o vê.

Me sinto como a água cristalina do lago. Calma, quieta, com um quê de irrelevância. Uma mistura pouco discernível de cores balançando ao vento, parte dessa natureza artificial, pedaço de um todo incompleto. Espelho feito de esquecimento, atraindo olhares, mas não a visão, invisível como o lago.