(Giulia Nogata)

Muitas eras atrás, antes de nós existirmos, aqui na Terra habitavam seres que desconheciam a escuridão e a tristeza.

Não existiam dias, pois o tempo não era dividido em duas partes como nós conhecemos hoje, a clara e a escura. Então o tempo todo a clareira do Sol dominava o ambiente e fornecia raios de luz mágicos aos seres vivos, deixando-os alegres e sorridentes.

Essas criaturas desconheciam haver sentimentos além da alegria. Todos, sem exceção, sorriam desde o nascimento até a morte.

Certo dia, porém, uma das divindades que ajudaram a criar os homens notou que nenhum deles era realmente feliz, por isso resolveu conceder a eles aquilo que nenhum sujeito já tinha sequer ouvido falar: a escuridão, a noite.

Então a deusa cobriu o Sol com um pano negro e tudo escureceu. As criaturas, no começo, não expressaram nenhuma mudança, mas pouco a pouco sentiram pela primeira vez a tristeza, um sentimento que somente a noite, camuflando os poderosos raios do Sol, era capaz de incentivar.

Desde então o tempo passou a ser dividido em dias, os quais eram formados por manhã e tarde, noite e madrugada. Talvez sentir tristeza não seja algo tão ruim quanto pensamos, afinal é depois da tempestade que vem a bonança, ou seja, a felicidade verdadeira.