(Isabela Benedik)

 

            Em um mundo repleto por perfeccionismo, a superioridade era lei; não se toleravam defeitos. Na Antiga Grécia, condenava-se tudo e todos, principalmente na pequena região montanhosa situada perto de Patras. Homens e deuses determinaram que todos os erros eram passíveis de punições repletas de maldades, não importando quem os tivesse cometido.

            Ao longo do tempo, as punições eram executadas frequentemente naqueles que desobedeciam às ordens. Certo dia, um egípcio viajara de Alexandria até Patras às pressas, quando esbarrou com seu cavalo em uma tenda comum, derrubando-a. O tumulto começou, cercando o homem. Eram gritarias e mais gritarias. O homem vetusto levantou-se e se pronunciou:

            – Peço-lhes meu mais sincero perdão pelo acidente que causei.

            Todos arregalavam os olhos, formando um silêncio desconfortável.

            – Pede-nos o quê? – disse o vendedor que perdera seus pertences.

            – Perdão. Sei que não posso pagar por tudo que destruí, então peço-lhes minhas sinceras desculpas.

A passagem se abriu na multidão quando uma mulher soberba gritou:

           – Não ouse nos pedir isso! Tu cometeste um erro e merece a punição.

         – Deixemos o homem ir embora. Não há nada que ele possa fazer para meus pertences voltarem – disse o vendedor.

            O egípcio pegou todo o dinheiro que lhe restara e tentou entregá-lo ao vendedor, mas este recusou, dizendo que não precisava se sacrificar pelo ocorrido. Todos deixaram o centro da pequena vila pensando no sentimento que começava a florescer.