(Carolina Borges)

No início dos tempos, tudo era diferente, desde os habitantes até o clima, mas principalmente o solo. A terra era composta por basicamente um tipo de relevo, no qual reinavam altas e distantes montanhas. No cume de cada uma delas havia apenas gelo e um único humano, que não sabia, nem procurava saber, o que existia além de sua própria montanha; só via e respirava a névoa que os rodeava.

Muitos ventos e tempestades passaram por ali e pouco a pouco quase tudo tinha mudado. As montanhas estavam mais baixas e quentes, os humanos cada vez mais altos e fortes, mas mesmo com essas mudanças a névoa continuava forte e os humanos permaneciam vivendo em suas montanhas, sozinhos, pensando que eram os únicos seres vivos no mundo, tão acostumados estavam com essa ideia.

O tempo continuou passando e o reino das montanhas foi tomado pelo reino das planícies. Seus altos cumes descongelaram e sua densa névoa irrigou lagos, rios e pântanos; as montanhas, todas elas, se tornaram um único terreno, onde as pessoas, ao descobrirem que não eram as únicas, passaram a viver juntas, em pequenos grupos, que se desenvolvem até hoje, desde as aldeias até os países. Os tempos mudaram, mas dentro de cada um ainda há resquícios daquela época quieta, calma, gélida.