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– Assim como em Bonsai, o que temos aqui é um micro-romance (96 páginas), com estrutura meio fragmentada e intersecções (visíveis, sejamos justos) entre as vozes do narrador e das personagens. Isso tudo parece sugerir algo como a velocidade da vida moderna, nosso desejo por interação e a dificuldade de conseguirmos colocar isso em prática;

– Há também trechos nebulosos, propositadamente obscuros. O narrador nos sugere determinadas coisas (talvez fosse melhor usar essa expressão no singular, mas já foi) talvez por – o  protagonista – não conseguir verbalizá-la com todas as letras. Nesse sentido, a fragmentação e a obscuridade ganham um sentido de outra sutileza: até que ponto podemos exigir ou esperar que uma pessoa que passou por um trauma consiga se comunicar linearmente?

– Há um tom imaginativo (autodeclarado exagerado) que me parece ser muito próximo de um mecanismo de defesa que costumamos usar: sempre que contamos uma história queremos de algum modo dar coerência às nossas experiências, queremos ver algum sentido na vida caótica e absurda;

– Lembrando que se trata de um romance curto, ele me parece bastante coeso com o contexto ao qual se insere;

– Valeu a leitura.

Ficha técnica
A vida privada as árvores
Título original: La vida privada de los árboles
Autor: Alejandro Zambra
Tradutora: Josely Vianna Baptista
Editora: Cosac Naify